| O município de
Sacramento, em MInas Gerais, cujo serviço municipal ficou em segundo
lugar na preferência dos leitores de Saneamento Ambiental, é exemplo
em gestão de saneamento. Com a inauguração da Estação de
Tratamento de Esgoto-ETE, que ocorreu no dia 1º de outubro de 2002, a
cidade atinge índices de 100% em coleta e tratamento de efluentes
domésticos, além de já promover o abastecimento de água para toda
a população.
A nova ETE vai tratar 75 l/s dos
resíduos lançados nos corpos d´água do Ribeirão Borá e seus
afluentes, rio que banha a região e pertente à Bacia do Rio Grande.
O projeto é composto por 12,5km de interceptores com diâmetro de
150mm a 500mm e 114 poços de visita de inspeção. O efluente recebe,
numa primeira etapa, o tratamento preliminar, pelo qual é medida a
vazão do esgoto e e feito o gradeamento dos sólidos grosseiros e
caixa de areia para remoção dos sólidos pesados. Logo depois,
segue, por meio de uma estação elevatória inteiramente automatizada
, em direção à caixa de distribuição, cujo objetivo é dividir o
volume de efluentes a ser lançado nas duas lagoas de tratamento, cada
umacom aproximadamente 30.000 m2.
O processo de tratamento por lagoas
facultativas visa a remoção de sólidos em suspensão, matéria
orgânica (DBO) e seres patogênicos (coliformes fecais e totais).
"Adotamos esse procedimento por ser muito confiável e ter custo
operacional baixo. Ele e bastante utilizado em países de clima
tropical", explica Osny Zago, diretor do Serviço Autônomo de
Água e Esgoto de Sacramento-SAAE.
Segundo ele, a ETE alcançou o nível
de 100% em tratamento do esgoto da cidade em dezembro passado, já que
a capacidade da estação foi sendo preenchida aos poucos, a fim de
que as bactérias realizassem a fermentação dos dejetos sem provocar
liberação de odores. Zago aponta que, na época do verão, as chuvas
de fim de ano fazem uma lavagem completa do Ribeirão Borá e seus
afluentes, deixando o córrego praticamente livre de matéria
orgânica que fica nas margens, e envia o esgoto produzido pela
população de Sacramento às lagoas para ser tratado.
Já em pleno funcionamento, a
estação de tratamento de esgotos de Sacramento tem potencial para
remover mais de 85% da matéria orgânica - índice superior à
resolução 010/86 do Copam e ao estipulado no estudo de
autodepuração do Ribeirão Borá, que é de 79% da Demanda
Bioquímica de Oxigênio. Os efluentes, depois de tratados, retornam
ao Ribeirão Borá totalmente despoluídos.
O projeto para a construção da ETE
de Sacramento começou a ser estudado em 1997, na primeira gestão do
prefeito Nobuhiro Karashima (PT). Em 1998, o governo federal, através
do programa Pró-Saneamento, liberou recursos para o projeto e
finalmente as obrar puderam ser iniciadas. "A Caixa Econômica
Federal financiou R$ 2.206.343,15 e nós ficamos responsáveis pela
contrapartida de R$ 389.354,67, que será paga em dez anos",
declara o prefeito.
A projeção traçada pelos técnicos
do SAAE é de que a ETE de Sacramento receba os efluentes do
município até 2032. "O nosso horizonte de funcionamento é de
30 anos. Porém, em 2010 vamos construir uma terceira lagoa
perpendicular às duas já existentes, que terá a função de
garantir operacionalidade ao sistema", ressalta Zago.
|